Durante a minha vida fui sempre selectiva nos meus relacionamentos. Mais que a quantidade o meu foco foi sempre na qualidade. Ter um número restrito de pessoas em que podia confiar deixava-me com um calorzinho bom no meu coração. Já a confusão da vida social ativa com os seus dramas, multidões, jogos sociais e as confusões nos relacionamentos sempre passaram ao meu lado... intencionalmente!
Nunca fui popular. Nunca procurei ser. E no entanto.. muitas vezes senti que o meu "brilho" pessoal incomodou umas quantas pessoas mal resolvidas...
Mas hoje venho falar de outro tipo de pessoas... as pessoas que apareceram na minha vida cheias de "falinhas mansas" e com a promessa de serem generosas (givers) mas que na prática não o são, são pessoas focadas em receber e em tirar (takers).
Eu sou uma pessoa generosa, sempre o fui. Por vezes excedo-me na minha doação porque carrego em mim muito trauma e a ferida rejeição (quem não). Tenho muitas vezes dificuldades em estipular limites, em ser mais racional e assertiva nos relacionamentos. Por isso, tenho atraído aqui e ali esse tipo de pessoa que se aproxima de mim para retirar proveito. Aquele tipo de pessoa que se está nas tintas para o que eu sinto, para os meus desabafos, para a minha dor existencial pois apenas vê em mim uma "escada" para alcançar algo ou para retirar algo.
Talvez isto seja um problema comum nos empatas...
Outro aspeto tem a ver com a nossa própria evolução pessoal. Como podemos avançar, progredir ou aprender se estamos a ser drenados pela toxicidade deste tipo de pessoa?
Talvez a luz que carregamos está ali para nós a absorvermos, ao invés de a doarmos ao desbarato quando ainda não estamos bem resolvidos e harmonizados. Talvez fazer isso possa ser mais importante para nós individualmente, e porque não, até coletivamente.
Vou usar uma metáfora para melhor explicar esta ideia.
É como ter uma garrafa de água e ao invés de a bebermos (pois temos sede) andarmos a doá-la a todos, não restando nada no final para nós! Se calhar a água foi colocada ali para nós a bebermos em primeiro lugar. E ao bebermos essa água ficaremos mais preparados para servirmos os outros e para mostrarmos onde fica o poço... Quem descobre o poço não mais necessita de tirar a "água" dos outros. Mas para nos doarmos temos mesmo de reservar água para nós mesmos em primeiro lugar. Temos de ter tempo e espaço para nós.
Assim, concluo que temos de saber gerir a nossa doação. Os nossos limites. O nosso cansaço. As nossas prioridades. E cada um terá de carregar o peso da sua própria vida. Não pode ser de outra maneira.
Doar sem limites pode ser exaustante... e é preferível o silêncio e a calmaria da solidão ao fardo de ter de carregar com o peso dos outros. Como trabalho na área social há longos anos, mais importante se torna para mim a criação desses limites, a criação de espaço e de tempo para o meu autocuidado, mas o que falo pode ser aplicável a qualquer pessoa.
Tem pessoas assim na sua vida... ou será que é essa pessoa que drena os outros?
![The Sacred Wells of Celtic Mythology]()